Maria Aparecida - semana 16 a 20 de Novembro - 9E,F

 

 

A espada de Luis Fernando verissimo

   Uma família de classe média alta. Pai, mulher, um filho de sete anos. É a noite do dia em que o filho fez sete anos. A mãe recolhe os detritos da festa. O pai ajuda o filho a guardar os presentes que ganhou dos amigos. Nota que o filho está quieto e sério, mas pensa: “É o cansaço.” Afinal ele passou o dia correndo de um lado para o outro, comendo cachorro-quente e sorvete, brincando com os convidados por dentro e por fora da casa. Tem que estar cansado.

        – Quanto presente, hein, filho?

        – É.

        – E esta espada. Mas que beleza. Esta eu não tinha visto.

        – Pai…

        – E como pesa! Parece uma espada de verdade. É de metal mesmo. Quem foi que deu?

        – Era sobre isso que eu queria falar com você.

        O pai estranha a seriedade do filho. Nunca o viu assim. Nunca viu nenhum garoto de sete anos sério assim. Solene assim. Coisa estranha… O filho tira a espada da mão do pai. Diz:

        – Pai, eu sou Thunder Boy.

        – Thunder Boy?

        – Garoto Trovão.

        – Muito bem, meu filho. Agora vamos pra cama.

        – Espere. Esta espada. Estava escrito. Eu a receberia quando fizesse sete anos.

        O pai se controla para não rir. Pelo menos a leitura de história em quadrinhos está ajudando a gramática do guri. “Eu a receberia…” O Guri continua.

        – Hoje ela veio. É um sinal. Devo assumir meu destino. A espada passa a um novo Thunder Boy a cada geração. Tem sido assim desde que ela caiu do céu, no vale sagrado de Bem Tael, há sete mil anos, e foi empunhado por Ramil, o primeiro Garoto Trovão.

        O pai está impressionado. Não reconhece a voz do filho. E a gravidade do seu olhar. Está decidido. Vai cortar as histórias em quadrinhos por uns tempos.

        – Certo, filho. Mas agora vamos…

        – Vou ter que sair de casa. Quero que você explique à mamãe. Vai ser duro para ela. Conto com você para apoiá-la. Diga que estava escrito. Era meu destino.

        – Nós nunca mais vamos ver você? – pergunta o pai, resolvendo entrar no jogo do filho enquanto o encaminha, sutilmente, para a cama.

        – Claro que sim. A espada do Thunder Boy está a serviço do bem e da justiça. Enquanto vocês forem pessoas boas e justas poderão contar com a minha ajuda.

        – Ainda bem. – diz o pai.

        E não diz mais nada. Porque vê o filho dirigir-se para a janela do seu quarto, e erguer a espada como uma cruz, e gritar para os céus “Ramil!”. E ouve um trovão que faz estremecer a casa. E vê a espada iluminar-se e ficar azul. E o seu filho também.

        O pai encontra a mulher na sala. Ela diz:

        – Viu só? Trovoada. Vá entender este tempo.

        – Quem foi que deu a espada para ele?

        – Não foi você? Pensei que tinha sido você.

        – Tenho uma coisa pra te contar.

        – O que é?

        – Senta, primeiro.

 

1)    A que gênero pertence o texto?

2)    Que características específicos desse gênero se identificam na leitura do texto?

3)    O texto a Espada é ficcional ou não ficcional?

4)    Ao pedir a mulher que se sentasse, antes de informar que o filho havia deixado a família para torna-se um super – herói, o pai esperava que sua reação fosse de

 

a)    Tristeza

b)    Descontrole

c)    Resignação

d)    Incredulidade

e)    Aborrecimento

 

 

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